29 agosto, 2011

Pardal

Hoje quando regressava de uma curta ida às compras vi um pardal no chão, ao pé da estrada. Baixei-me e toquei-lhe levemente para ver se estaria vivo, mas estava já duro e levemente seco até. Fiquei com pena do bicho por estar assim no alcatrão, porque imaginei que tivesse levado uma sarrafada dum carro (que geralmente os mata no momento) e por isso peguei-lhe e coloquei-o num canteirinho próximo.

Voltei para casa e fiquei a pensar nele.
Há três anos tive a oportunidade de desenhar um pardalinho incauto que caiu nas garras da minha falecida gata. Desde aí nunca mais tinha visto nenhum que se prestasse aos mesmos propósitos, porque geralmente os que eu encontrava tinham sido atropelados ou estavam já em carcaça.

Depois de colocar as compras em casa, voltei a sair, munida de uma luva de latex e uma caixinha de plástico e fui busca-lo. Estava mesmo sequinho.
Já em casa acabei por pôr a luva de parte e peguei-lhe mesmo com as mãos. Aqui há uns tempos provavelmente seria incapaz de o fazer, mais por medo de sujar as mãos com alguma coisa, mas a convivência com certos ilustradores tira-nos estas mariquices...

Tentei desenha-lo primeiro a lápis e depois atacar com alguma aguarela. Eu adoro passarinhos, mas a organização das penas baralha-me e nunca tenho paciência para estar a contar e a programar cada peninha no seu sítio... o que é por sua vez uma pena, porque o desenho ganhava com isso. É o artístico a sobrepor-se ao cientifico!
Doía-me um bocado o pescoço e não me estava a sentir muito inspirada para o pobre pardal. Tentei mais um desenho com as minhas canetas novas da Faber Castle e fiquei um pouco mais satisfeita, embora tenha falhado em termos de composição porque a cauda não coube na folha.
Acho que nunca estou preparada para desenhar passarinhos mortos.
Despedi-me dele e devolvi-o ao jardim das traseiras, onde ele poderá ser comido pelos bichinhos e fazer outra vez parte do todo.

26 agosto, 2011

O facebook como ele é








Eu sei que há muito boa gente que passa todo o santo dia em frente a um computador, mas... será que precisamos mesmo de saber isso TUDO?

16 agosto, 2011

Gulbenkian - dia 2


Um feriado religioso foi a desculpa para mais uma saida em familia para os jardins da Gulbenkian! Desta vez optamos pelo relvadinho ao pé do lago principal, aquele ao qual se chega depois de saltitar umas pedras num mini riacho e que alguém da Fundação achou (e bem) que não seria má ideia encher de puffs.
Abancámos num puff, descalços e no meio de várias pessoas que liam, dormitavam ou apenas olhavam umas pras outras (e uma fêmea de pato-real que vinha de quando a quando ver se tínhamos comida, é verdade) e durante uma boa hora e meia desenhou-se.

Escolhi outro eucalipto enorme, desta vez com umas estranhas protuberâncias em forma de bola rugosa... não sei se árvores têm tumores, mas se têm não deve andar longe disto.

Ao fim de algum tempo a nossa zona foi invadida por uma família suburbana adolescente (duas raparigas, um bebé e dois rapazes) que se colou a nós com aquele à vontade de quem numa praia cheia não se importa de por a toalha de tal modo que os pés quase tocam na cabeça do vizinho... Havia uma jovem mãe que tinha medo da nossa pata e encolhia-se arrepiada de cada vez que o bicho olhava para ela com aqueles olhinhos de "Tens bolachas? E pão?"

As conversas deles eram ocas. Zarpámos em busca dum gelado!

Depois de umas quantas voltinhas parámos um pouco no laguinho das rãs para desenhar. Adoro este sitio e os pormenores aqui são infinitos! As rãs infelizmente estavam tímidas (ou talvez fosse muito cedo para elas) mas ainda deu para ver uma ou outra, algumas tartarugas, outras tantas libelinhas e uma familia de patinhos a tomar banho.
Não sei se o desenho é reconhecivel, mas o lago é pequeno está coberto de nenúfares e pedras e por todo o lado há ervinhas a sair da água e arbustos em volta e plantas e mais plantas... espero poder lá voltar com boa luz e arriscar mais uns desenhos.

Gulbenkian - dia 1

Passei uma manhã nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian com o intuito de desenhar umas árvores ao vivo para tentar enriquecer os fundos das minhas aguarelas.
A primeira foi escolhida por força da necessidade.. Tinha-me esquecido que o jardim é regado de manhã e por pouco não apanhei um banho enquanto o atravessava! Como estava á espera de uma amiga, escolhi a entrada principal, que estava de momento livre de aspersores de água e a arvorezinha que se pode ver acima estava mesmo a jeito de ser desenhada.

Enquanto desenhava via chegar táxis (que estacionavam mesmo em frente à minha árvore) que largavam velhotes urbanos de boas reformas que gostam de passar o tempo na Gulbenkian e alguns turistas também com ar de quem não tem problemas de dinheiro.

Alguns pareciam curiosos por me ver desenhar assim sentada no chão e uma senhora brasileira disse que era "uma árvore muito bela, não é? Merece ser retratada assim..." (ler com sotaque).
Já no jardim e com a amiga, sentámo-nos num banquinho semi molhado (já tinha acabado o periodo de rega) e escolhi este eucalipto obeso para um desenho a grafite. Desenhei só o que consegui ver e pôr no papel. Gosto destas árvores incompletas, são ao mesmo tempo abstractas e concretas e ajudam a ocupar a composição.

05 agosto, 2011

A copiar se vai ao longe*

Em 1997 tive o privilégio de ver ao vivo alguns dos originais de Alfons Mucha numa exposição que houve na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa. Chamava-se Mucha e o espírito Arte Nova. Tinha na altura 16 anos, já estava a estudar artes e adorei!
Desde então que comecei a interessar-me muito pelo trabalho deste artista e desta época e tenho alguns bons livros, incluindo o pequenino livro "de bolso" da Taschen cuja capa apresento acima.
Tenho andado também com vontade de fazer outras coisas que não sejam só as comerciais ou as que me encomendam, por isso há duas noites atrás peguei no livrinho da Taschen, reparei na contracapa (que mostro acima) que tinha um dos seus belos posters sobre uma marca de cigarros, peguei num espelho e desenhei-me no mesmo estilo.
Quando acabei fiquei bastante entusiasmada (ah o inebrianço de um novo desenho...!) mas logo no dia seguinte achei-o mais ou menos mediocre. Tentar que a aguarela consiga igualar a litografia é um bocado impossível, sobretudo quando se está a trabalhar com tempo quente, com a água a evaporar em segundos e com um papel talvez demasiado grosso para o efeito.

No entanto é com os erros que se aprende e achei que era digno de postar aqui!

*Nota: Nesta apropriação do provérbio popular uso a palavra copiar no sentido de treinar e de aprender com os mestres, e não no sentido de copiar como apropriação da inspiração e dom alheios. É o que digo quando as pessoas vêm ter comigo com desenhos que fizeram a partir dos meus desenhos... façam-nos à vontade se isso vos ajuda a praticar ou a ter outras ideias, mas livrem-se de fazer dinheiro com isso.

03 agosto, 2011

Férias

Estreei-me no Festival Musicas do Mundo este ano!
Não sou nem nunca fui muito festivaleira, mas na semana passada fui dois dias ao Festival Musicas do Mundo em Sines e gostei muito.
Destaco especialmente os concertos de Manou Gallo & Women Band, cuja principal vocalista foi em tempos uma das cantoras das Zap Mama (grupo que adoro) e os Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble "Desert Slide" que tinham um entusiasta tocador de Kartâl, um instrumento cujo som fazia lembrar o das castanholas. O senhor que o tocava sacudia-se de tal maneira e de modo tão engraçado que roubava protagonismo aos outros todos.
Delicioso!

Logo no primeiro dia, enquanto o primeiro concerto não começava, desenhei a árvorezinha que podem ver em cima.

De passagem


Ainda inspirada pelas conferências sobre desenhadores urbanos, tenho tentado andar mais com o Moleskine atrás e às vezes já sinto vontade de ter um maior (o que é óptimo sinal).
Nestes dias de férias, de passagem pelo aeroporto para buscar família, aproveitei para desenhar algumas senhoras enquanto esperava pelo voo atrasado, sentada num café.
Foram desenhadas primeiro a lápis e depois com as minhas canetas novas.

Ainda não é fácil encarar os olhares dos "modelos", mas ainda assim acho que consegui ser discreta.

Em alternativa a desenhar as pessoas de frente, é sempre possível desenhar as nucas.
Gostei particularmente do resultado deste desenho.

Assim foi o Sketchkrawl em Lisboa

Foi no dia 23 do passado mês que isto aconteceu, e eu queria ter conseguido mostrar aqui umas imagens, mas uma constipação veranil e uma saída apressada para umas mini férias (sem computador nem scanner) fizeram-me adiar este post.
Então imaginem isto:
Mais de 200 pessoas no Terreiro do Paço em Lisboa, a sua grande maioria sentada no chão à sombra, a desenhar! Não é uma visão extraordinária?
Eu quis - como seria esperado - desenhar o Terreiro do paço em si, mas como a arquitectura é-me muito difícil de representar...
...passei para as pessoas que estavam à minha volta.
Aliás, na sua maioria creio que os desenhadores desenhavam-se uns aos outros, o que era bastante divertido. Quem não queria desenhar circulava entre as pessoas e espreitava por cima do ombro... e havia caderninhos invejáveis! Os turistas costumeiros desta zona da cidade estavam entusiasmados e vi uns quantos a fotografar a efeméride.
Apareceram uma ou duas televisões a cobrir o evento e aproveitei para desenhar a menina camera-woman... que por sua vez me filmou!
E assim se passou um belo fim de tarde! Aqui deixo uma das reportagens feita pela RTP, das que mais gostei.