22 julho, 2011

Duas conferências e um monte de boas ideias

Nestes ultimos dois dias tenho acompanhado as conferências do segundo Simpósio de Urban Sketching.
Soube da vinda deste Simpósio já há uns bons meses, mas na altura vacilei quanto a inscrever-me - a inscrição dava direito a fazer uma série de workshops desenhando pela cidade - mas quando vi o preço desisti porque era muito para o dinheiro que tinha disponível na altura e como nunca me considerei muito Urban Sketcher (no sentido de desenhar cidades) achei que não era para mim.

No entanto soube há pouco tempo que era possivel assistir às conferencias pela módica quantia de €5 por dia! Como cada dia só tinha duas e a duração média é de meia hora cada, achei que o esforço não era grande e que podia ganhar bastante com isso.

E está a ser brutal!
Hoje assisti às conferências de Matthew Bhrem (um senhor que entre outras coisas dá todos os anos 8 semanas de aulas de desenho ligado à arquitectura em Roma!) e James Richards (arquitecto paisagista, co-fundador da consultora de design urbano Townscape), ambos excelentes desenhadores e professores e que têm o dom de passar essa paixão a terceiros...
Penso que foi o Matthew que a certa altura disse que para podermos evoluir no desenho devemos desenhar todos os dias (aquilo que já sabia mas custa a pôr em prática) e que é muito positivo experimentar novos materiais, sobretudo quando pensamos que já dominamos uma técnica. E nem de propósito eu me andava a sentir enjoada da aguarela... não porque já a domine (nem por sombras! Aliás cada vez mais sinto que pinto sempre da mesma maneira) mas porque gostava de tentar coisas que nunca considerei usar nos meus desenhos.

Como lápis de cor
Ou canetas de feltro!
E foi assim que numa fúria desenhadeira (e um pouco consumista, confesso) comprei duas canetas de ponta de pincel da Faber Castel e transformei os 45 minutos de autocarro de volta a casa numa caça à árvore!*
Esqueci-me de levar um caderno comigo, de modo que à falta de melhor tive mesmo de desenhar em folhas livres da minha mini agenda.

Amanhã (sábado 23) esperam-me as conferências de Simonetta Capecchi e António Jorge Gonçalves, mas mais importante ainda o fabuloso Sketch Krawl! Às 16h30 vamos juntar-nos todos e desenhar no Terreiro do Paço! Este movimento de desenhadores terá eco noutras cidades do mundo, de tal modo que por todo o planeta se ouvirá o barulho da grafite no papel...

Venham também :)

* Este era um termo que um professor meu usava quando queria que fossemos desenhar para a rua e fizéssemos esboços rápidos para captar logo a forma: Cacem uma árvore!

A ilustrana na Cliente & Designer

Fui recentemente contactada pelo site Cliente & Designer no sentido de poder lá mostrar o meu trabalho e falar um pouco de como faço as coisas.
Não conhecia este site, mas gostei de imediato quando por lá passei, pelo look simples e funcional, pelas categorias e pelos colegas que encontrei na secção de ilustração (que foi logo o meu primeiro clic!)

Na zona de "Acerca" fiquei a saber mais sobre este projecto que pretende:
(...) mostrar o que de melhor se faz cá dentro, e lá fora, feito por portugueses nas mais variadas áreas, desde Design Gráfico, Web, Fotografia, Vídeo, Digital Art, entre outros temas. Queremos que as pessoas aprendam a olhar a criatividade como algo de muito importante, porque para além de talento exige muito estudo, dedicação e trabalho.
E achei que era uma missão muito nobre!

Respondi então às perguntas, seleccionei alguns desenhos e o resultado pode ser visto aqui.
Se tiverem tempo naveguem um pouco pelo site, que vale a pena!

20 julho, 2011

Jingle Bells em pleno Julho


No verão passado recebi uma encomenda de uma agencia de publicidade para fazer um desenho natalício para a Klorane, para que se fizessem com ele posters e autocolantes para as farmácias. Já no natal esqueci-me completamente de o mostrar aqui, mas foi engraçado ver o meu desenho na rua e nalgumas farmácias de supermercado!

Este ano pediram-me novo desenho, no qual ainda estou a trabalhar, e que me faz cantarolar coisas com sininhos numa altura em que só me apetece comer gelados.
Sempre fui um bocado sugestionável, e no verão apetece-me desenhar coisas frescas e no inverno coisas aconchegantes... mas nada é impossível! Este verão outonal ajuda um pouco à inspiração e até é um exercício engraçado!

Lá para o Natal coloco aqui o poster deste ano. Até lá... Oh Tannenbaum, oh Tannenbaum, wie grün sind deine Blätter...

18 julho, 2011

Ilustrações em tela

Às vezes as encomendas trazem-me coisas estranhas, inopinadas ou desconcertantes. Outras vezes são só desafiantes.
Há umas semanas atrás fui contactada por uma senhora pediatra que me perguntou se estaria disponível para fazer duas telas (pintadas a acrílico) para um consultório. Normalmente não faço telas, mais por desabituação do que outra coisa qualquer... Nunca fui muito pintora de telas, não porque não goste, mas porque (e quem conhece perceberá) a aguarela e a tinta acrílica são bem diferentes e é difícil conseguir os mesmos efeitos.

Para além de que a aguarela é para mim uma técnica de secagem super rápida e imediata (pegar numa folha qualquer ou mesmo no diário gráfico, pegar na caixa das aguarelas e num copo de água e zás!), bem diferente da ideia de abrir o cavalete, encaixar lá uma tela, misturar as tintas e pintar... e esperar que seque... e pintar mais um pouco...
...mas a ideia agradou-me e muito de modo que aceitei!
Foi-me pedido um "Quero ver-te crescer" (tema que já existia nos meus postais e sacos de pano cru) e uma menina Capuchinha Vermelha com um lobo que não fosse assustador.

O "Quero ver-te crescer" foi o primeiro e surpreendi-me com a rapidez com que posso (afinal!) pintar uma tela de cabeçudos. Já a Capuchinha demorou uns dias por causa do fundo e das árvores e outros pormenores mais miudinhos.

As telas foram embrulhadas e rumaram ao norte onde espero que façam as crianças sorrir, já que estão num consultório médico.

Gostei mesmo da experiência e espero voltar a repetir :)

17 julho, 2011

O Zé vai ao Zoo (um livro numa semana)

Aqui está o segundo exercicio que fiz no workshop de ilustração infantil que fiz no Ar.Co.
Tal como no primeiro, já tinha ouvido falar de alguma coisa deste género, mas não sabia muito bem no que consistia... que era o seguinte:
Fomos desafiados a contar uma história sem palavras, só com recortes, de uma visita ao Zoo.
Em baixo está a minha capa.
O titulo era mesmo "O Zé vai ao Zoo" e o briefing não podia ser mais simples e concreto:
- Usar três cores apenas
- Contar a história em quatro duplas (o nome dado a duas páginas, lado a lado)
- Cingir a história à visita (sem histórias paralelas, sem criancinhas a cair na fossa dos ursos...)
- Que desse a entender que era um passeio no Zoo e não num outro sitio qualquer com bichos

Keep it simple, era o que apetecia dizer :) E foi isso que tentei.

Uma vez mais acho que as cores de cartolina que escolhi não foram as mais felizes, mas o tempo era tão escasso que não dava para grandes indecisões. Quis por força usar um cor de rosa que desse para representar flamingos e escolhi as outras cores por contraste, dentro do que tinha à disposição. Ficou um pouco electro-pop, mas gostei!
Depois da capa vêm as guardas, que são aquelas folhas que "guardam" o miolo e o colam à capa. Neste caso tentei repetir o elemento da capa (a árvore) mas já com um bicho.
Na minha primeira página dupla fiz o Zé a entrar no Zoo (visto de dentro) e os bichos a recebe-lo.
Depois um pequeno jogo de composição em espelho: na página da esquerda uma espécie de vista aérea e na da direita um passaroco.
Na terceira dupla outra brincadeira com a composição... as grades da jaula do macaco (à esquerda) fazem eco das perninhas dos flamingos (à direita).
No final o Zoo fechado e visto de fora (era suposto colocar ainda uns bichinhos a espreitar por cima das grades, mas o tempo não deu para mais e tive de cortar o supérfluo)
As guardas do fim fazem também referencia á árvore...
...que aparece na contracapa.
Acrescentei um código de barras, porque livro que é livro tem um :)

Passarinhos e mais passarinhos

Durante a semana do workshop do Ar.Co. estive tão animada com o exercicio dos puzzles de animais que numa tarde em que inesperadamente fiquei fora de casa por me ter esquecido da chave aproveitei o (muito) tempo de espera para desenhar este elefante de passarinhos (e comer um gelado Magnun novo fabuloso)
Tenho tido montes de ideias para desenhos destes entretanto!

Uma semana num outro planeta

Esta semana que passou estive a fazer um workshop no Ar.Co!
Como disse há uns dias atrás, este foi um workshop orientado pela Yara Kono (do Planeta Tangerina) com a participação especial do Bernardo Carvalho no primeiro dia, para lançar os exercícios.
E foi uma semana e pêras!

Como já tinha tido uma colega que tinha feito um workshop destes, tinha na ideia o tipo de exercícios que iam ser lançados... coisas com bichos feitas de recortes de cartolina, duas coisas que eu adoro! De modo que estava na expectativa do que conseguiria fazer...
E o primeiro exercício/desafio foi lançado:
Consistia em fazer um animal em silhueta constituído por muitos outros animais encaixados, tipo um puzzle. Os espaços entre os bichos deveriam ser mais ou menos homogéneos, de modo a que a silhueta final não parecesse ter buracos. Foram-nos sugeridos dois bichos que poderíamos usar, um rinoceronte e um crocodilo, só para desemperrar e o resto ficava ao nosso critério.
As regras eram bastante simples: Podíamos usar um destes animais, mas também poderiamos escolher um outro se preferíssemos. Mas fosse qual fosse tínhamos de o encher com 15 a 20 bichos!

Fiquei-me pelo rinoceronte porque me pareceu mais desafiante e com mais formas e reentrâncias...
A principio pareceu-me uma tarefa hercúlea... 20 bichos dentro de um rinoceronte?? E que bichos escolher? E em que posições?

Optei por criar algumas regras minhas: quis usar bichos mais da vizinhança do rinoceronte (e falhei redondamente com o pinguim e o esquilo, mas vá) e optei por tentar sempre que possível coloca-los direitos (isto porque originalmente podíamos vira-los de pernas para o ar, se quiséssemos).
O curioso neste exercício é que depois de começar a fazer os limites do perfil do animal, as coisas vão-se realmente encaixando e a coisa começa a parecer possível...
Depois de conseguir fazer o desenho final, foi "só" ampliar, passar para a cartolina e recortar...
Acho que não fui muito feliz com a escolha de cores, mas fiquei muito orgulhosa do meu feito! Um rinoceronte feito por 20 bichinhos em dois dias é obra!
Em cima podem ver uma montagem (meio ranhosa, sorry) que fiz com duas fotos tiradas à parede onde expunhamos o nosso trabalho. Os dois rinocerontes assinalado com uma seta vermelha são meus.
A turma aplicou-se (palmas para nós) e no final da semana a parede estava completa!