
Ela estava lá quando eu nasci.
Lembro-me dela sempre por aí... nas festas de anos, nos almoços de fim de semana a comer carapauzinhos fritos, nos passeios pela cidade. Nos jardins da Gulbenkian comigo muito pequenina.
Lembro-me dela sempre por aí... nas festas de anos, nos almoços de fim de semana a comer carapauzinhos fritos, nos passeios pela cidade. Nos jardins da Gulbenkian comigo muito pequenina.
Gostava de moda e comprava roupa boa. Usava muito Ana Salazar, acho mesmo que era uma das suas grandes coleccionadoras. Pintava o cabelo de um tom avermelhado, mas mais para o ruivo.
Era sonora, falava alto - como as professoras habituadas aos anfiteatros - e sem papas na língua. E era por vezes um pouco chata.
Era sonora, falava alto - como as professoras habituadas aos anfiteatros - e sem papas na língua. E era por vezes um pouco chata.
Depois ficou doente, assim de repente, sem aviso.
E era grave.
A operação foi de urgência e a vida deu uma grande volta.
Os dias começaram a passar um a um. Começaram as terapias, os tratamentos, as rotinas da quimioterapia. Houve conquistas, algumas e essas eram comemoradas como se quer e com roupa nova - sempre que possível, roupa nova!
Os dias começaram a passar um a um. Começaram as terapias, os tratamentos, as rotinas da quimioterapia. Houve conquistas, algumas e essas eram comemoradas como se quer e com roupa nova - sempre que possível, roupa nova!
Gostava dos meus desenhos e comprou-me vários, que emoldurou muito bonitos. Foi a principal mentora da exposição que fiz no ISPA.
E os dias foram passando. Dos três anos que lhe estimavam ela fez cinco, com aniversários bem gozados todos os Dezembros.
E depois começou a ter mais dificuldades e as passagens pelo hospital tornaram-se estadias.
Até que deixou de ir a casa.
Até que deixou de ir a casa.
Morreu ontem à tarde.
Era a Zilda, a nossa tia emprestada.











