27 maio, 2011

Z de Zilda


Ela estava lá quando eu nasci.
Lembro-me dela sempre por aí... nas festas de anos, nos almoços de fim de semana a comer carapauzinhos fritos, nos passeios pela cidade. Nos jardins da Gulbenkian comigo muito pequenina.
Gostava de moda e comprava roupa boa. Usava muito Ana Salazar, acho mesmo que era uma das suas grandes coleccionadoras. Pintava o cabelo de um tom avermelhado, mas mais para o ruivo.
Era sonora, falava alto - como as professoras habituadas aos anfiteatros - e sem papas na língua. E era por vezes um pouco chata.

Depois ficou doente, assim de repente, sem aviso.
E era grave.
A operação foi de urgência e a vida deu uma grande volta.
Os dias começaram a passar um a um. Começaram as terapias, os tratamentos, as rotinas da quimioterapia. Houve conquistas, algumas e essas eram comemoradas como se quer e com roupa nova - sempre que possível, roupa nova!
Gostava dos meus desenhos e comprou-me vários, que emoldurou muito bonitos. Foi a principal mentora da exposição que fiz no ISPA.

E os dias foram passando. Dos três anos que lhe estimavam ela fez cinco, com aniversários bem gozados todos os Dezembros.
E depois começou a ter mais dificuldades e as passagens pelo hospital tornaram-se estadias.
Até que deixou de ir a casa.

Morreu ontem à tarde.
Era a Zilda, a nossa tia emprestada.

23 maio, 2011

(Até ver) os desenhos vão deixar de ir ao Jardim...

Caros leitores e frequentadores da feira do Jardim da Estrela: A organização da Feira Crafs & Design do Jardim da Estrela comunicou hoje a todos os artesãos que a feira vai ser interrompida por tempo incerto por motivos de cessação de apoio por parte da Junta de Freguesia da Lapa.

Desconheço os motivos maiores, mas foi-nos explicado que a feira, a continuar, veria alterados o seu funcionamento e regras, razão pela qual ficará parada. Acho que falo por todos os artesãos quando digo que ficámos muito tristes com a notícia.

Agradeço a todos quantos me visitaram e compraram os meus desenhos nestes últimos 5 anos. A organização está a trabalhar no sentido de voltar a trazer ao jardim esta nossa Feira. Assim que houver boas novas darei noticia.
Até lá... torçam por nós!

22 maio, 2011

Queria ser mais verde: como rapariga


Aviso a todos os leitores do sexo masculino: Este post contém linguagem explicita sobre menstruação, ciclo menstrual, periodo, sangue, fluidos, nhanha e outros temas que atentam contra a vossa resistência ao nojo. Desaconselha-se a leitura aos mais sensíveis.


Então é assim... Ainda sobre o tema da ecologia, gostava de partilhar convosco umas ideias que me têm chegado através da internet, algumas amigas e lojas de produtos naturais como a Brio.

Já há uns bons anos que me questionava sobre a biodegradibilidade dos pensos higiénicos, como rapariga em idade fértil que sou e como parte daquele grupo de mulheres que podem falar do seu periodo em termos de tsunami, catarata, torneira aberta e outros eufemismos do género (eu avisei).
Depois surgiram aqueles emails em que se falava do risco de usar os pensos e tampões mais comuns nos nossos supermercados porque tinham substancias que faziam sangrar mais ou que eram de algum modo nocivas... e alertavam sempre para o facto de não haver listas de componentes nestes produtos... se os emails eram verdade ou não, não sei, o que tenho de confirmar que é verdade é que de facto nunca consegui perceber de que eram feitos os pensos que sempre usei. Continuei a usar os pensos que conhecia porque não tinha grande saída e usar lenços de papel ou toalhas de pano não era uma opção. O facto é que os pensos higiénicos "normais" não são nada ecológicos e devíamos tentar procurar alternativas.


Mas eis que há uns tempos atrás soube da existência dos copos menstruais! Conhecia os Mooncup e depois fiquei a conhecer os Lunette.
O conceito é meio estranho, sobretudo se não se estiver habituada a tampões. Trata-se de um copinho feito de silicone (que é um material estéril e que dura imenso tempo) que se põe "lá para dentro" e vai recolhendo o sangue ao longo do dia - parecido com o que fiz no desenho lá em cima. Depois é só tirar, lavar e tá pronto para outra! As duas marcas de que falo acima são muito semelhantes e pelo menos os lunette já se encontram por cá (Portugal), sem ter de se encomendar pela internet.
Mas enfim, falo disto por ter feedbacks positivos de amigas, porque na verdade "eu é mais pensos"*

E sobre isso há também novidades ecológicas: Os pensos higiénicos Natra Care que encontrei na Brio e que imagino que existam em lojas de dietética e produtos naturais tipo O Celeiro são pensos ecológicos, de algodão, que existem nas diversas formas de com abas, sem abas, tanga etc como os outros... ah, e também há tampões da mesma marca!

Da minha experiência posso dizer que são bastante bons.
Ok, os não-ecológicos são mais absorventes e fininhos (mas também ainda não experimentei todas as variantes dos Natra Care que existem no mercado) mas só a ideia de se perceber de que são feitos, qual é a filosofia da marca e que são biodegradáveis torna tudo um pouco melhor.
No site Pegada Verde podem também admirar uns pensos reutilizáveis que se lavam na máquina. Tenho algumas reservas em relação ao estado em que ficarão com umas poucas de utilizações, porque com lavagens a 60º ou sem elas, sangue é sangue meus amigos... mas não descarto a ideia de experimentar um dia...
Podem ver mais algumas marcas no artigo sobre o mesmo tema, do site Centro Vegetariano.

*Referência à expressão "Eu é mais bolos" da rábula sobre José Severino, um personagem do Herman José, do programa Hermanias - Fim de Ano. A ver aqui!

Queria ser mais verde

Eu gostava de ser mais verde.
Não no sentido de mudar de cor, como podem imaginar, mas de tentar não produzir tanto lixo e fazer escolhas mais ecológicas. Vou fazendo os possíveis reciclando tudo o que posso em casa (ainda que às vezes tenha imensas duvidas - afinal as embalagens de iogurte são recicláveis ou não?) e tentando não comprar coisas supérfluas e com múltiplas embalagens. E também por fazer algumas escolhas vegetarianas na cozinha.

Comprei há uns meses um livro chamado Seja ecológico, escolha biológico, da editora Civilização e que dá pelo nome original de A Slice of The Good Life.
Ok, claro que fui levada pelo titulo, pelo facto de ser um livro DK - Dorling Kindersley, que tem livros que eu adoro, e pela minha costela naturo-hipoconcríaca que adora tudo o que seja natural ao mesmo tempo que reclama de todos os insectozinhos e bichezas de cada vez que me encontro no campo...
Há imensos livros no mercado que falam deste tema, do vegetarianismo, da ecologia e de como levar uma vida menos pesada para o planeta. Este não será concerteza o mais completo, abrangente ou mesmo o melhor, mas é um dos que se cruzou no meu caminho e gostei porque é um bonito livro com bonitas fotos e ensina a fazer coisas desde como plantar legumes em vasos até criar galinhas (!) que foi uma coisa que apelou logo à minha costela de miúda-urbana-para-sempre-saudosista-de-nunca-ter-tido-uma-casa-de-campo-nem-mesmo-a-dos-avós-...-enfim.

Então, imbuída deste espirito de couves e galinhas passei a frequentar (ainda) mais a loja Brio, uma loja de produtos biológicos que conheço do bairro de Campo de Ourique em Lisboa e que até já abriu uma sucursal em Carnaxide!

Mas eis que se me colocou outra questão... reparo que muitos dos produtos biológicos que por aqui andam neste tipo de lojas (os champôs, cremes, iogurtes, massas e enlatados...etc) são de origem alemã. Reconheci-os logo porque muitos já conhecia de outras paragens, por ter vivido na Alemanha uns poucos de meses durante o meu Erasmus.

Então colocou-se-me uma outra questão... quão ecológico é afinal comprar produtos deste tipo quando os mesmos têm de viajar de avião, barco ou camião para chegarem até nós? Qual é o peso desta pegada? Não haverá produtos portugueses que nos cheguem?

Dá que pensar.

12 maio, 2011

Os desenhos vão ao mercado de Campo de Ourique

E é já este sábado que se vai realizar a segunda feira de artesanato do Mercado de Campo de Ourique! Este mercado realiza-se todos os segundos sábados de cada mês, entre as 9h e as 15h.

11 maio, 2011

Peregrinar

Moro ao pé de uma Estrada Nacional por onde, nestes dias, se vêm bastantes peregrinos que rumam a Fátima. Ao vê-los assim, de colete reflector vestido, lembro-me sempre daquelas figurinhas da Nossa Senhora que brilham no escuro...

07 maio, 2011

Este fim de semana fico em terra

Caríssimos leitores:
Desculpem ser tão em cima da hora, mas este fim de semana não vou estar no Jardim da Estrela por causa de um deadline importante.
Se tudo correr bem estarei presente noutra feira no próximo sábado e avisarei com antecedência.
Obrigada!

05 maio, 2011

Estudar é preciso

Na semana passada, quase por acaso, veio-me cair no email uma mensagem de uma ilustradora que trazia uma informação sobre os Booktailors.
Nunca sobre tal coisa tinha ouvido falar, mas espreitei o site e depois o blog, percebi que lidavam com livros e davam cursos e quando li os títulos dos cursos deu-me um daqueles baques "Eu tenho de fazer isto, absolutamente!"

Os Booktailors são consultores editoriais. Não são editores como aliás explicam nas suas FAQ:
(...) um consultor editorial não é um editor. Um consultor editorial é alguém que tem por função dar conselhos e executar serviços no sector editorial. É alguém com formação especializada e experiência que lhe permite trazer uma mais-valia clara ao trabalho árduo de quem está no mercado e sabe que não pode, nem deve, saber e fazer tudo.
Um consultor editorial é um parceiro dos editores, um especialista externo com recursos de que o editor não dispõe, com uma visão alargada e fortemente abalizada, que não teme apontar todas as forças e fraquezas.

Considero-me grande consumidora de livros infantis. Não compro nem metade do que gostaria, por falta de espaço e sobretudo de dinheiro, mas tento estar a par das novidades, sejam nacionais ou não. A zona das crianças é a primeira coisa que vejo numa livraria e mesmo no estrangeiro as visitas aos museus têm boa concorrência com as idas às livrarias para encontrar preciosidades de outras línguas... Sou bastante exigente em relação às ilustrações e sou bastante levada por um bom título, mas de modo geral não dispenso um bom texto. Por vezes no entanto compro livros de textos assim-assim porque as ilustrações são de alguma musa incontornável.. e também já aconteceu um bom texto ajudar a vender umas ilustrações mais comuns.

O curso que vou fazer chama-se Livro Infantil II e é orientado por Carla Maia de Almeida. O programa parece delicioso e embora custe um pouco mais de 200 euros, não pestanejei na altura da decisão. Tem a duração de 18h, divididas por 6 dias. É um curso que será dado no centro de Lisboa, na Baixa.
Sinto-me muitas vezes seduzida por inúmeros cursos de ilustração que pululam por aí (se pudesse fazia os do Ar.Co. e os do CIEAM), mas ultimamente sinto mais falta de bases teóricas.

Aos interessados (e abonados - na carteira), penso que ainda há vagas!

04 maio, 2011

Para os amantes de coisas miúdinhas...


Há algum tempo coloquei aqui esta imagem com o título serenata.

Acho que nunca cheguei a dizer que adoro casa de bonecas. Em pequena não tive nenhuma (ok, tirando a dos Pin&Pons) mas cheguei a ter algumas mobílias isoladas (de sala e de quarto) com as quais compunha pequenas divisões numa prateleira do meu quarto.
Até que fui crescendo e arrumando os brinquedos... mas algures naquela idade em que se volta a gostar de roupa cor-de-rosa, comecei a pensar que adoraria ter uma casa de bonecas.
Visitei o Hospital de Bonecas, investiguei as marcas disponíveis e escolhi uma casa de uma marca inglesa...
... e este ano essa casa foi-me oferecida! É da Emporium Dolls Houses e está - ainda empacotada - à espera que eu tenha tempo de a montar - Sim, porque a versão Do It Yourself, que é a mais fixe, tem o seu quê de complexidade e vou precisar de algum tempo livre para a montar.

A seu tempo espero poder colocar aqui algumas fotos. Não sou pelo fofinho excessivo e gostava de tentar conseguir um look entre o steampunk e o vitoriano reciclado.. vamos a ver o que consigo fazer...
Mas lindo lindo é ter sabido que este mês vai haver a primeira Feira de Miniaturas e Casas de Bonecas no Palácio Ribamar, em Algés! Começa já na sexta feira, é de entrada livre e é uma séria concorrente à feira do livro para eu ir desgraçar a minha carteira!

03 maio, 2011

Mais uma volta, mais uma corrida...

A minha vida tem dado umas quantas voltas nos últimos tempos.
Mudei de casa para me tornar uma suburbana e embora ainda esteja a ressacar de viver longe de Lisboa, tenho garças brancas a pastar no relvadinho ao lado de casa.
De repente meti-me num projecto de animação para uma grande empresa portuguesa e antes que conseguisse dizer supercalifragilisticexpialidocious estava num emprego "normal".
Entretanto uma editora do norte do país propôs-me ilustrar um livro de um conhecido autor de literatura infantil e juvenil e - obviamente - disse que sim que sim que sim!

Com isto a minha vida ficou um bocado cheia. Deixei de ter tempo para fazer desenhos meus, passei a viajar de carro todos os dias, voltei a lembrar-me o que era o trânsito e habitua-mo-nos a viver rodeados de bolas de cotão e pelo de gato.

Mas o trabalho era bastante absorvente... a casa foi ficando (ainda mais) um caos, as ilustrações para o livro atrasaram-se e fiquei triste por já não não conseguir fazer o que queria...

Mas eis que as minhas tarefas no projecto de animação terminaram! E foi quando eu pedi para sair. O projecto em questão será um mini filminho que se tudo correr bem vai andar por aí pelas TVs (a seu tempo será devidamente anunciado).
As ilustrações para o livro também estão encaminhadas e espero em breve poder começar a postar alguns dos esboços.

Ter emprego fixo é importante e permitiu-me conhecer pessoas fabulosas, voltar a fazer desenhos-que-mexem e amealhar algum dinheiro (que se não for bem controlado vai acabar todinho na Feira do Livro), mas neste momento preciso mesmo é de...