Ele entrou para a nossa família quando eu tinha 10 anos. Era um gato assustadiço e algo medroso e vinha acompanhado de uma irmã totalmente preta com a qual infelizmente não pudemos ficar. Talvez por sentir saudades da mãe, embora já tivesse dentes e comesse bem, teimava em fuçar na barriga da irmã e mamava em qualquer tufinho de pelo... ao que a irmã, impossibilitada de ter leite para lhe dar, dava-lhe antes com as patas de trás no focinho.
Depois cresceu, tornou-se num lindo gato tigrado e bem grande. Como não fazia tenções de marcar o território (o que muito surpreendeu muito bons veterinários) nunca foi castrado e esse facto fê-lo mais tarde pai de algumas ninhadas. Também se manteve sempre muito magrinho e elegante. Tinha mais algumas particularidades: era doido por sopa, oregãos e um tipo de biscoitos do Fundão. Fazia ronrom muito baixinho e queria sempre colo, pelo que lhe chamávamos o "sempre em cima".
Era um doce de bicho.. tirando o facto de gostar de miar alto e bom som a sua fome ás 6 da matina.
Depois da
gata morrer ele pareceu ficar normal, mas de algum modo mais parado: já não tinha a pequena leoa bicolor a fazer-lhe emboscadas às esquinas.
Até que começou a emagrecer mais e mais...
Os rins acusaram a falência em que já vinham caindo há cerca de duas semanas e esta manhã, depois de dois dias sem comer e pouco beber demos-lhe uma morte sossegada na marquesa da veterinária.
Estive sempre com ele. Era o meu gato.