28 fevereiro, 2009

Exposição Passeio de Domingo

A vida dá muitas voltas.
Em 2002, e arrastada pela minha amiga Cláudia, tirei um curso de animação de volumes dado pelo Nuno Beato na Citen (que agora se chama CIEAM). Entre aulas, festas de aniversário e outros convívios do género (e até porque o núcleo duro da animação de volumes em Portugal era e é relativamente pequeno) acabei por conhecer o Zé Miguel Ribeiro (realizador da Suspeita e um tipo extremamente acessível e cómico) que na altura andava a reunir equipa para uma nova produção...
A vida deu mais umas voltas e no verão de 2005 vi-me a trabalhar na equipa das marionetas do Passeio de Domingo, no torresmo que é Montemor-o-Novo naquela altura do ano! Foram 5 meses muito animados, entre moldes e araminhos e foi lá que aprendi quase tudo o que sei sobre marionetas para este género de filmes.
Claro que neste mundo nem tudo são rosas, os orçamentos são baixos, o tempo que se estipula para a construção é quase sempre curto demais e os materiais são caprichosos, pelo que não foram precisos muitos azares na parte das filmagens para que o filme só pudesse ser lançado 4 anos depois da construção... mas adiante.
Este ano fui surpreendida pela proposta do Zé e da Monstra para montar com a Cláudia uma exposição com as marionetas, adereços e cenários do filme no Museu da Marioneta!

Assim sendo é com prazer e sobretudo orgulho que deixo as coordenadas para poderem visitar a exposição:

Museu da marioneta - Convento das Bernardas
Rua da Esperança, 146   
1200-660 Lisboa
tel: 21 394 28 10

22 fevereiro, 2009

Mestre Lagoa Henriques (27/12/1923 - 21/2/2009)

Soube pelas notícias que morreu ontem o Mestre Lagoa Henriques. Como escultora que sou não quis deixar de pôr aqui uma palavra sobre isso...
O primeiro contacto que tive com ele foi no secundário, algures antes do 12º ano, quando uma professora de História da Arte resolveu (e bem) pô-lo a falar connosco sobre arte no geral e escultura no particular. Desse encontro não tenho presentes os pormenores da conversa, mas lembro-me bem do quanto gostei de o ouvir! Na altura estranhei o Mestre antes do nome. Parecia-me uma estranha reverência, mas ao mesmo tempo muito carinhosa por parte dos que a usavam.
Mais tarde, já em Belas Artes vi-o aqui e ali, e sobretudo nas conferências que por lá se davam e para as quais ele era convidado. Falava pelos cotovelos, com uma vivacidade e sentido de humor fantásticos! E tinha esse condão de nos fazer sentir artistas, ou melhor, dava à condição de artista uma aura qualquer que nos fazia querer acreditar que afinal tínhamos acertado no curso :) Ouvi-lo falar dava vontade de ser escultor!
E foi lá enfim que percebi que Mestre não era título. Era nome próprio.

A imagem foi retirada daqui.

15 fevereiro, 2009

Dia de passarinhos


Sexta feira 13, um dia lindo de sol e a proposta de ir ver passarada... como recusar? ("dia de passarinhos" significa num português mais correcto "observação de aves", ou num charmoso inglês birdwatching, que pralém de soar bem é poético como tudo!)

Acompanhada por um dos grandes especialistas da área, rumámos à margem sul pela Vasco da Gama, direcção Alcochete e por aí... Estavam prometidos flamingos em salinas! De dentro do carro, às vezes avançando a 10 km/h e munidos com binóculos com que olhávamos para tudo o que fosse bicho de penas, parecíamos gente um bocadinho doida.
Vi bichos lindos, e alguns algo raros...
...como o papa-ratos (que-afinal-não-come-ratos-coisa-nenhuma,-é-só-de-nome)
e ainda:


...mas o que eu queria mesmo mesmo era ter espremido um desses apetitosos (mas algo pálidos) flamingos..! ESPREMER ATÉ FAZER SUMO! 
Mas não deu.

10 fevereiro, 2009

Félix (17 Maio 1991 - 10 Fev. 2009)


Ele entrou para a nossa família quando eu tinha 10 anos. Era um gato assustadiço e algo medroso e vinha acompanhado de uma irmã totalmente preta com a qual infelizmente não pudemos ficar. Talvez por sentir saudades da mãe, embora já tivesse dentes e comesse bem, teimava em fuçar na barriga da irmã e mamava em qualquer tufinho de pelo... ao que a irmã, impossibilitada de ter leite para lhe dar, dava-lhe antes com as patas de trás no focinho. 

Depois cresceu, tornou-se num lindo gato tigrado e bem grande. Como não fazia tenções de marcar o território (o que muito surpreendeu muito bons veterinários) nunca foi castrado e esse facto fê-lo mais tarde pai de algumas ninhadas. Também se manteve sempre muito magrinho e elegante. Tinha mais algumas particularidades: era doido por sopa, oregãos e um tipo de biscoitos do Fundão. Fazia ronrom muito baixinho e queria sempre colo, pelo que lhe chamávamos o "sempre em cima".
Era um doce de bicho.. tirando o facto de gostar de miar alto e bom som a sua fome ás 6 da matina.
Depois da gata morrer ele pareceu ficar normal, mas de algum modo mais parado: já não tinha a pequena leoa bicolor a fazer-lhe emboscadas às esquinas.
Até que começou a emagrecer mais e mais... 
Os rins acusaram a falência em que já vinham caindo há cerca de duas semanas e esta manhã, depois de dois dias sem comer e pouco beber demos-lhe uma morte sossegada na marquesa da veterinária.
Estive sempre com ele. Era o meu gato.